sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Meu Amor

O meu amor
tem lábios de silêncio
e mãos de bailarina
e voa com o vento
e abraça-me
onde a solidão termina.

O meu amor
tem trinta mil cavalos
a galopar no peito
e um sorriso só dela
que nasce quando
a seu lado eu me deito.

O meu amor
ensinou-me a chegar
sedento de ternura
sarou as minhas feridas
e pôs-me a salvo
para além da loucura.

O meu amor
ensinou-me a partir
nalguma noite triste
mas antes ensinou-me
a não esquecer
que o meu amor existe.

- O meu amor existe, Jorge Palma


E é tão bom sentir assim, com certezas reais e sonhos inocentes...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Preces a um deus menor



Oh
Senhor da Escuridão, Daemos e Phobos da minha alma, porque me atormentais? Receio insano, temor sobre-humano, medo irracional!


Oh Senhora da Solidão, Somnus onírico do meu futuro, porque me esqueceis? Vazio expansivo, vácuo interminável, sofrer não justificado!


Oh
irmão da alma, sangue do meu sentir, porque me haveis abandonado? Conforto frio, carinho vão, toque inócuo!


Oh
anjo negro, paixão tépida da minha existência, porque vos levaram de mim? Desejo inacabado, anseio pútrido, amor sem mim!


Oh
minha melhor parte, Irmã e Mestre do meu ser, porque me deixastes? Companhia ausente, apoio esquecido, saudade premente!


Oh
Ego, eu que mais te escondes, porque sofremos assim? Ânsias, anseios, sonhos!" Falhas, derrotas, vidas perdidas!


Oh
companheiros, secretos camaradas da minha esperança, porque não a alimentais? Sonho presente, querer constante, futuro que não mais!


Oh
, meus amigos, não mais! Fazei da tristeza, riso; do sonho, verdade; da mágoa, lembrança; da saudade, amor! Vinde cantar uma lágrima e dançar no batimento de corações que anseiam sempre por mais!

domingo, 9 de agosto de 2009

Amar(guras)

Bem-vindos ao altar da desgraça, onde reside a solidão.
Bem-vindos à alma devassa, que por tudo nada passa, perdidos na escuridão.
Bem-vindos ao meu desespero, ao desassossego irrequieto de uma ânsia primal e preemente.

As boas vindas vos dou ao túmulo de um futuro que não será: um plano bem delineado, totalmente gorado. Apodrece na raiz do sonho, envolto em vã esperança pútrida, aquilo que podia ser, desejos de criança.

Acomodem-se bem, caros convidados, o espectáculo começa quando estiverem todos instalados. Da miséria, o retrato; do falhanço, o rosto; da solidão, o rasto; da falência de um esforço.

Escutem a música da alma quebrada, o negro cenário, a dança não coreografada. Observem o alcatrão onde penas se reproduzem, lamentos que tão bem da minha alma drenas, acordes de uma morte anunciada mas que teima em chegar.

sábado, 8 de agosto de 2009

Luz vítrea


Catedral de Palma de Maiorca... pré-gripe A, asseguro-vos! Não há contágio virtual a temer!

Entre rochas e ondas balanço esquecida


Para todos aqueles para quem o mar é um amigo, conselheiro, calmante...
aqui vos deixo um bocadinho do meu mar, de lágrimas centenárias feito.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A mim não me basto

Herbívoros complacentes
se passeiam pelo pasto.
Para mim não me basto.

Carreiros de formigas
juntando provisões.
Sonho em forma de canções.

Penas de asas soltas
esvoaçam no azul céu.
Fuga deste coração meu.

Pétalas e pólen
levados pelo vento.
Não me chega o contentamento.

Crianças correndo
entre louras searas.
Minhas são mil caras.

Fresco riacho
escorrendo pelos seixos.
Um sorriso nos queixos.

O sol poente
que arrefece o dia.
Se pudesse, o que eu faria!

Seasons of me

Like the Winter sun
whose warmth is shy
I feel cold.
Like the Summer heat
so high
I feel bold.

Like the weather
around the year
I change.
Like a flower
blooming late
I grow.

Like Spring showers
on the land
I sometimes cry.
Like Autumn leaves
through the ground
I go round.

Like the weather
around the year
I change.
Like a flower
blooming late
I grow.